E que ano!

2021 foi um ano de vitórias. E pra ter vitória é preciso ter tido luta. Guerra. Que nem sempre é externa. É louco olhar pra trás e ver tanta coisa.

Eu me mudei, e pra isso muita coisa precisou acontecer. Interno, externo. Os planetas precisaram estar super alinhados.

Trabalhei muito. Não quero aqui romantizar o workaholic, mas foi real.

(As vezes a gente olha uma pessoa aqui e se pergunta, o que se passa na vida dela?)

Fiquei off por aqui? Fiquei. Mas no mundo real eu ri, bebi, me apaixonei, me senti cansada, viajei, fiz curso, quase adotei um gato, li, gastei o cérebro de tanto escrever, me senti cansada, meditei, fiz mais um curso, tive bloqueio de escrita, lavei louça, cozinhei e ainda sigo na busca pelo sofá perfeito, enquanto termino o último curso do ano.

Acho que se aprendi alguma coisa foi que o importante mesmo é estar alinhado consigo mesmo. Comigo mesma. Aquilo que faz sentido mesmo que pareça errado.

Muito longe de ser perfeita. Não fui, não sou, não serei. Mas tenho mergulhado no amor próprio para ver se quando eu levantar, o desamor, acumulado ao longo dos anos, se dissolve. E quem sabe assim meu corpo entenda que o Amor veio para ficar.

2022 é o meu ano da saúde. Isso quer dizer que além de lidar com a minha desconstrução em diversos âmbitos, terei que desconstruir meu entorno. Nunca é só você, é sempre o seu mundo.

A realidade sobre a vida virtual 

Cada dia que passa a vida virtual chega a ser menos coisa de filme de ficção científica dos anos 80 e fica mais perto da realidade. Há uma discussão tão grande sobre o assunto que esses dias me peguei lendo uma matéria sobre a invenção do metaverso, e segundo os autores dessa faceta, isso se justifica porque a Internet está ficando pequena. E é até uma pena que Stan Lee morreu sem poder ver seu universo criativo fazendo parte da vida real. Se é que devemos chamar assim. 

Por ócio ou por curiosidade, resolvi me inscrever em um jogo que mistura vida virtual e literatura. A premissa do aplicativo traz o sonho (ou pesadelo) de todo leitor: escolher os caminhos dos personagens. A história é pré-montada e traz uma seleção inspirada em romances de Jane Austin, Senhor dos Anéis, adolescentes com o high school ou a noiva do lobo, zombies, viagem no espaço e até eróticos como a babá e o CEO. Para todos os gostos.

A primeira história abriu quase que automática, no estilo o príncipe e a plebeia, seguindo do grande questionamento da vida, amplificado pelos coachs nas redes sociais: quem você gostaria de ser? É aquele momento em que ou você tem os seus objetivos definidos e sai do jogo para cuidar da sua vida, ou você entra em depressão aliada da ansiedade. Continuei.

A partir daí começa entrar o dinheiro na história. Os cabelos mais legais são de 15 a 20 diamantes. E a vida virtual perde os limites quando você pensa que realmente, aquele cabelo colorido, com essa perfeição toda tem que ser um bom profissional. Sai caro. Esse vestido vermelho brilhante tem cara de ser de um estilista famoso. Vinte e cinco diamantes. 

Cada opção que é muito legal ou muito íntima vale diamantes. O sonho do príncipe é conhecer a estátua da liberdade, para levar ele lá, são quinze diamantes, ou você cancela com ele e vai para casa. E aí tudo começa a parecer muito com a realidade. Melhor cabelo, melhor vestido, melhores atividades saem caro. Quer passear no jardim? Quinze diamantes, ou vinte, ou vinte e cinco, dependendo da história e da companhia. 

Ah, e engana-se quem pensa que julgamento é coisa de ser humano, os personagens do jogo são tão mestres nisso que fazem te lembrar daquela festa na adolescência: você vai mesmo com essa roupa? Ou ainda: você disse não para o príncipe e perdeu sua a chance. Quantas vezes a própria culpa me atormentou na vida real e eu nem dormi pelos nãos que eu disse?

A vantagem é que eu fiz uma descoberta bem libertadora e que teria me poupado muitas sessões de terapia. Não há resposta certa. Às vezes os outros personagens reagem às suas escolhas e outras vezes eles agem do mesmo jeito, independente da sua resposta. Fui reprovada no teste de viação intergalática com vários logins diferentes, testando todas as combinações de respostas possíveis. Deletei.

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Láylah sofre de narcolepsia. Ela dorme mais de doze horas por dia. O mundo dos sonhos é o seu refúgio, é o paraíso onde ela tem uma segunda vida. Dentro de sua mente, o mágico universo de Hulm Alealam vive.

Lá a paz reina e o amor transborda de cada canto. Mas nem tudo são flores…

Se o relógio der doze badaladas e você não estiver em casa os vampiros de Jeita vão te pegar!

Quando a guerra começar não vai ter para onde correr: o sonho se tornará pesadelo. Você é capaz de enfrentar seus maiores medos?

PINK FLOYD – OBSCURED BY CLOUDS (1972)

“Obscured by Clouds” é o nome perfeito para o sétimo álbum do Pink Floyd. Isso porque, lançado em 2 de junho de 1972, ele ficou ofuscado e não teve muita atenção do público, mas deveria. Antecede a inegável obra-prima “The Dark Side of the Moon” de 1973, mas tem sim um grande valor musical. Ele foi gravado entre Fevereiro e Março de 1972, no Strawberry Studios, em Château d’Hérouville, na França.

A intenção do “Obscured by Clouds” foi para ser uma trilha sonora do filme “La Vallée” do diretor Barbet Schroeder, com quem eles já tinham trabalhado anteriormente em 1969. O filme narra a busca de um vale mítico, localizado em Papua Nova Guiné, pela esposa de um diplomata francês. Sendo assim, o primeiro título seria “The Valley”, mas houve um sério desentendimento da produtora com a banda e eles escolheram um novo nome. O tempo das músicas é harmônico, visto que os 106 minutos são bem distribuídos e variam de 2 a 5 minutos. Nada como o anterior que tinha “Echoes” com mais de 23 minutos.

Obscured by Clouds
A música título tem apenas 3 minutos, e é instrumental. Começa com uma nota persistente tocada no sintetizador, dando um ar especialmente dramático quando se pensa em trilhas sonoras. O som é crescente, a bateria começa suavemente marcando o tempo de maneira repetida e continua assim até o final. Logo é seguida pela guitarra, que só dá as caras mesmo lá perto do primeiro minuto, mas David Gilmour é David Gilmour, e fica até difícil escolher uma palavra para descrever. É tão bonito e tão rápido que quando se fecha os olhos para ouvir melhor, já acabou. E aí, é possível fazer uma metáfora com o resto do álbum, “Obscured by Clouds” passa tão rápido quanto uma nuvem encobrindo o sol. Você fica uns segundos confuso porque jura que a música acabou, mas parece que ela continua mesmo assim. É quase uma emenda com a próxima faixa.

When You’re In
Mas aí dá para dizer que “Obscured by Clouds” é uma introdução de “When You´re In” ou que “When You´re In” é uma continuação de “Obscured by Clouds”? Não! A primeira tem uma pegada bem mais psicodélica e melancólica. A segunda música do álbum já tem a bateria um pouco mais pesada. O teclado de Rick Wright se destaca aqui trazendo mais cor à “When You´re In” a partir dos 40 segundos. OK! Não dá pra dizer que ela é um primor do Pink Floyd e muito menos de “Obscured by Clouds”, ela é curtinha, com 2 minutos e meio.

Burning Bridges
A terceira música é a cara do Pink Floyd e podia muito bem fazer parte do icônico “The Dark Side of the Moon”. Isso porque “Burning Bridges” tem uma pegada que lembra muito “Breathe”. Traz uma nostalgia que você nem sabe do que. A guitarra e a bateria formam uma dupla circular que é complementada pelo vocal alternado de Gilmour e Wright, que é mais uma declamação da letra, complementando esse círculo infinito e melancólico. A letra é extremamente poética, outra marca registrada da banda. “Pontes queimando alegremente/Fundindo-se com as sombras/Agitando-se entre as linhas.”

The Gold, It’s in the…
“The Gold, It’s in the…” foge um pouco do progressivo e segue a linha do rock clássico, quase um The Who. Ela é mais animada e simples, sem a complexidade característica de Pink Floyd. A letra fala de uma jornada em busca de algo, possivelmente ouro, como diz o título. “Tudo que eu quero te falar, tudo que eu quero dizer / É que conte comigo nesta jornada / Não ache que eu irei ficar aqui.”Então, a música condiz muito com a excitação pela aventura, trazida pela mensagem na letra. Gilmour entra com um solo lá com 1 minuto e meio de música.

Wot’s, Uh…the Deal?
Essa talvez seja a música que mais sintetize a ideia principal do filme: a busca por si mesmo. “O Céu mandou a terra prometida/Tudo parece bem de onde eu estou/Porque eu sou o homem no lado de fora olhando para dentro.” A música começa com a melodia na guitarra e uma bateria suave. O vocal é bem intimista, quase um “voz e violão”, se não fosse Wright surgindo com um solo lá pelos 2 minutos e meio, que agrega ainda mais beleza para a música.

Mudmen
“Mudmen” é instrumental e traz o mesmo tema já apresentado em “Burning Bridges”. A questão aqui é que ela é mais trabalhada e com uma maior experimentação. Ela começa com Wright desenvolvendo a melodia, com uma sonoridade forte de órgão (daqueles de igreja mesmo!). Gilmour entra com um solo belíssimo lá por 1 minuto e meio, um agudo distorcido que quase representa um vocal. E se segue daí até o final dos 4 minutos uma complementação da guitarra distorcida e o órgão psicodélico.

Childhood’s End
A sétima música do sétimo álbum traz uma sensação de números cabalísticos. E “Childhood’s End” começa quase como uma trilha de suspense, mas só até o primeiro minuto, quando vai evoluindo em crescente até o momento do vocal de David Gilmour. Destaque para a percussão, que dá uma ideia do que ainda virá. A questão que fica aqui é, seria uma prévia de “Time”? Porque ela fala da questão do tempo e tem a sonoridade bem parecida. “Você navega além dos mares/De pensamentos e memórias que se foram/A infância acabou, suas fantasias/Se unem à dura realidade.”

Free Four
A música começa com um trocadilho em relação ao nome: “One, Two, FREE FOUR”. Quem faz o vocal aqui é Roger Waters, e a letra fala da morte de seu pai.“Mas você é o anjo de morte/E eu sou o filho do homem morto/Ele foi enterrado como uma toupeira em um buraco/E todo mundo ainda está na corrida”. Apesar de a letra ser triste e pesada, a sonoridade é leve e de uma certa alegria. Conformismo, talvez? Quase todos os fins de estrofes terminam com pratos de bateria, dando uma certa dramaticidade ao som. Um pequeno solo de guitarra distorcida lá por 1 minuto e meio e um mais longo depois com três minutos.

Stay
“Stay” é uma balada em que predomina o piano de Wright. “Fique e me ajude a terminar o dia/ E se não se importar, abriremos uma garrafa de vinho./ Fique por perto, e talvez a gente consiga terminá-la toda”. A música fala sobre uma noite só. “Vasculho minha mente tentando lembrar teu nome/ Para achar as palavras certas pra dizer adeus.” Com dois minutos e meio, surge um belíssimo (tá repetitivo?) solo de guitarra, com uma pegada meio blues.

Absolutely Curtains
A instrumental “Absolutely Curtains” é a mais experimental do álbum. Ela termina com o canto, apresentado no filme, da tribo Mapuga da Nova Guiné.

Pode não ser um dos álbuns icônicos, mas faz uma mistura da variação musical do Pink Floyd, que foi desde um som experimental a um mais comercial (“The Gold, It’s in the…”). “Obscured by Clouds” é um excelente petisco antes de “The Dark Side of the Moon”.

Formação:

David Gilmour – Guitarra, Vocal
Rick Wright – Teclado, Vocal
Roger Waters – Baixo, Vocal
Nick Mason – Bateria, Percussão

Faixas:

1.Obscured by Clouds
2.When You’re In
3.Burning Bridges
4.The Gold, It’s in the…
5.Wot’s, Uh…the Deal?
6.Mudmen
7.Childhood’s End
8.Free Four
9.Stay
10.Absolutely Curtains

*publicado originalmente em 09 de fevereiro de 2018, em Roadie Metal.

Resenha: Deep Purple – Burn (1974)

Uma das coisas importantes a dizer de “Burn” é a comprovação de que Deep Purple continua com ou sem os integrantes. Não só continua, no sentido simples da palavra, mas consegue se reinventar de uma maneira criativa. O oitavo álbum marca a entrada de David Coverdale, no vocal e de Glenn Hughes, no baixo, ocupando os lugares livres com a saída de Ian Gillan e Roger Glover, respectivamente.

Burn foi lançado em 15 de fevereiro de 1974 e atingiu o top 10 da Billboard nos Estados Unidos e o top 5 no Reino Unido. Gravado apenas três meses antes, em Montreux, na Suíça, no Rolling Stones Mobile Studio, o álbum conta com oito gravações e mostra toda a repercussão sonora trazida pelos novos integrantes. Saliento aqui também o desafio que qualquer produção artística tem em cada próximo trabalho, exercitar a criatividade sem afetar o estilo, com um produto final original e de personalidade.

01 – Burn – 6:04

A primeira música do disco, que dá título ao álbum, mantém a estrutura dos hits de sucesso, iniciando com um riff marcante e poderoso, e a bateria veloz de Ian Paice. Por isso, sim, “Burn” é o hit de sucesso do álbum, e também a que mais se aproxima da sonoridade conhecida até então. Colocada na primeira posição, talvez para não assustar os fãs e só então mostrar as influências de blues, soul e até funk (funk music, people, não confundam!). Ela tem seis minutos, dos quais os cinco primeiros segundos são para a guitarra de Blackmore, com a entrada de Paice no sexto segundo e só então os outros instrumentos. Coverdale é apresentado lá por 00:20, cantando com força e voz pesada, e revela parte de sua potência vocal no refrão. “Earth was shakin’, we stood and stared” (A terra estava mexendo, nós estávamos de pé e olhamos), seria uma metáfora para aquele período? Se sim, “All I hear is, “burn!” (Tudo o que ouço é, “queimem!”) traduz toda a ação do álbum.

02 – Might Just Take Your Life – 4:36

A segunda música “Might Just Take Your Life” já inicia com uma leve, bem leve, influência do soul. Com pouco mais de 4 minutos e meio, Coverdale parece soar mais à vontade nos vocais, mas o destaque é de Jon Lord, que conseguiu transpassar um pouco da sua personalidade musical. Apesar de ter alguns elementos interessantes, o resultado final é como se cada um estivesse num quarto separado, o que poderia ser bom, mas no caso específico aqui faltou um fio de ligação que promovesse a harmonia entre os elementos. Mas a letra pode até ser considerada uma profecia para o Deep Purple “Old man shakin’ dice down on the street/ Try’n to make a livin’ somehow / But i’m really sure about gettin’ things sorted out / And i’m gettin’ ready right now.” (Um velho homem jogando dados pelas ruas/ Tentando sobreviver de alguma forma/ Mas estou realmente certo De que as coisas vão melhorar/ E estou me preparando neste exato instante). Como assim uma profecia? Bem, as coisas não estavam muito bem para a banda, visto que o último álbum não foi um grande sucesso de vendas. E sim, as coisas iriam melhorar depois de “Burn”. Além, também de um aviso bem sério de que nada pode parar o Deep Purple: “You can’t hold me,/ I have told you.” (Você não pode me segurar, / Eu te disse).

03 – Lay Down, Stay Down – 4:15

Na terceira faixa, “Lay Down, Stay Down”, tem quatro minutos e é uma surpresa boa. Depois da excelente “Burn” e a meia-boca “Might Just Take Your Life”, a terceira música é estrategicamente importante. É nela que se decide continuar ou não ouvindo o álbum. E pessoalmente foi uma das que eu mais gostei e vou dizer porquê. Não, ela não é uma música passível de se tornar um grande clássico, mas tem seu valor. Lord finalmente se destaca aqui, junto com Paice, Coverdale e Hughes. Sim, há uma unicidade, soa como se eles realmente estivessem ao mesmo tempo, fazendo a mesma coisa. Finalmente, há sincronia, e isso dá uma beleza à música. Coverdale e Hughes se complementam no vocal. O garboso solo de Blackmore lá pelos dois minutos e meio da música, transpõe a influência do blues, e deixa a música muito mais interessante. A letra não é um primor na questão de criatividade, mas soa muito poética na voz de Coverdale.

04 – Sail Away – 5:48

Excelente questionamento é feito na letra de “Sail Away”, quando diz “Tell me,where do i belong?” (Me diga, onde eu pertenço?). A quarta música segue a mesma linha de “Lay Down, Stay Down”, com uma boa qualidade, mas sem nada grandioso. Com quase seis minutos, “Sail Away” não precisa ser a música preferida de ninguém, mas agrega valor ao álbum. Ela traz uma certa psicodelia, que é um traço recorrente do Deep Purple. A guitarra de Blackmore conversa lindamente com o baixo de Hughes. O vocal de David Coverdale é um charme a parte. “Sail Away” tem um certo groove, mas sem perder as raízes do rock. Se a mistura ficou boa? Bem, “Time will show, / When, i don’t know.” (O tempo mostrará / Quando, eu não sei). Atenção especial ao solo de guitarra distorcida, trazendo efeito psicodélico lá pelos 03 minutos e 15 segundos. Mais uma música em que a sincronia reinou e demonstra uma parcela do potencial do que essa formação poderia trazer.

05 – You Fool No One – 4:47

“You Fool No One” é groove demais para Deep Purple. É possível compreender aqui a revolta que Blackmore teria nos próximos anos. “You fool no one, waiting to see if I’m gone.” (Você não engana ninguém esperando para ver se eu parti). Olha groove querido, não que você tinha que partir, mas também não precisava ir tanto para o lado funk music, né? Vamos manter na linha do rock que tá tudo certo. Nem a letra se salva.

06 – What’s Goin’ On Here – 4:55

A sexta música do álbum traz uma influência do blues, não só na guitarra que arrebenta desde os primeiros acordes, mas também no ato de contar uma história com a letra. Tudo bem que o tema é bem rock ´n´ roll, com bebedeiras, mulheres e ressaca, muito válido para uma banda nos anos 70. Os primeiros quinze segundos há o diálogo intenso da guitarra, do teclado e da bateria, e em seguida a voz quase rouca de Coverdale. “Roll me over slowly, i’ve been drinkin’ all night,/ Help me make a move, i can’t stand the light.” (Me levante devagar, eu andei bebendo a noite toda / Me ajude a dar um passo, não consigo suportar a luz) Para então terminar com: “Spent the night chasin’ up a listed old flame, / Lyin’ on the floor i can’t remember her name. / I can’t stay here, there’s something wrong here. / What’s goin on here?” (Passei a noite à caça de uma velha paixão/ Deitado no chão não consigo lembrar o nome dela/ Eu não posso ficar aqui, há algo errado aqui / O que está acontecendo aqui?). O problema é ela ter ficado quase por último. Tudo bem que, se formos pensar na estrutura do LP, ela estaria como segunda música do lado B. Mas, ouvindo em sequência até aqui, dá pra se perder um pouco nesse mix musical que “Burn” traz, especialmente depois de “You Fool No One”. A música “What’s Goin’ On Here” é muito boa, mas fica apagada e parece totalmente fora de contexto nesse caso.

07 – Mistreated – 7:25

“Mistreated” é com certeza uma das estrelas de “Burn”. Ela começa com quase 30 segundos de um esplêndido solo de guitarra, e uma tímida bateria, apenas para marcar o tempo. O conjunto todo soa com uma sensualidade incandescente que, novamente, é temperada pela voz rouca de Coverdale. Reflete também toda a melancolia e a dor de ser “Mistreated”. Aquela coisinha que fica batendo no peito, contra a sua vontade. “Cause I know, yes, I know I’ve been mistreated./ Since my baby left me I’ve been losing, I’ve been losing, / I’ve been losing my mind, baby baby babe.” (Pois eu sei, sim, eu sei que eu fui maltratado. / Desde que minha garota me deixou eu ando perdendo, eu ando perdendo, / eu ando perdendo a cabeça, baby baby baby). Sua garota (ou garoto!) também te deixou? Coloca “Mistreated”, dá aquela sofridinha básica, e depois volta para o “Burn”, porque, vida que segue!

08 – ‘A’ 200 – 4:16

Bem, essa eles deixaram para o final porque é o maior desafio do álbum. O destaque é total para a Paice e Lord. “‘A’ 200” é experimental até no nome, com uma certa influência oriental, japonesa e indiana. E a bateria bem militar, soando como marcha de guerra. Tudo isso ao mesmo tempo. São quatro minutos de música instrumental.

A conclusão é que, ok, “Burn” não é exatamente uma máquina de hits de sucesso, mas não é um fracasso como muita gente clama por aí. Muito por conta do contexto em que ele foi criado. Afinal, observando todo o processo de criação do álbum, e as condições em que a banda se encontrava no momento. “Burn” foi gravado em três meses, com dois integrantes novos e conseguiu sim um produto final original e de personalidade, um pouco esquizofrênica e bipolar, é verdade. Talvez com mais tempo de produção, trabalho e uma maior sincronia e até mesmo intimidade entre os integrantes, transformasse o álbum em um grande sucesso.

Formação:

David Coverdale – vocal principal
Ritchie Blackmore – guitarra
Glenn Hughes – baixo, vocal
Jon Lord – teclados
Ian Paice – bateria

Faixas:

01 – Burn – 6:04
02 – Might Just Take Your Life – 4:36
03 – Lay Down, Stay Down – 4:15
04 – Sail Away – 5:48
05 – You Fool No One – 4:47
06 – What’s Goin’ On Here – 4:55
07 – Mistreated – 7:25
08 – ‘A’ 200 – 3:51

*publicada originalmente em 27 de novembro de 2017, na Roadie Metal.

MERCYFUL FATE – DEAD AGAIN (1998)

Mercyful Fate não é para qualquer um, verdade seja dita. King Diamond é um artista que aspira transpassar toda a sua intensidade e sensibilidade dentro de seu trabalho. Falar isso de um dos caras com maior influência do heavy metal parece desconexo, mas é a mais pura verdade. Afinal, o que dizer de alguém que gosta de compor à luz de velas e até mesmo realizar as gravações do estúdio assim? Ou então, no total escuro, para que ele possa sentir sobre o que está cantando. A grande jogada aqui é o constante balanço entre o personagem, suas lendas e a realidade do ser humano, entre maquiagens e jeans, camiseta e boné. E isso King faz muito bem!

Em uma entrevista para a MTV’S Headbangers Ball, King falou sobre a volta da banda e de como, naquele momento eles estavam maduros e não brigavam mais em relação a composição das músicas. Uma das razões citadas foi o fato de que eles tiveram suas bandas próprias e aprenderam sobre suas personalidades e também evoluíram no quesito de como gravar músicas. Em uma entrevista para o programa Fúria Metal, apresentado por Gastão Moreira, King disse que o álbum que eles estavam gravando estava pesado. “It´s heavy, it´s so heavy, man!” e emendou com um “Foi provavelmente o melhor álbum que a gente já fez”.

Ele estava falando do oitavo álbum, “Dead Again”, gravado em 1997, nos meses de outubro, novembro e dezembro, no Nomad Recording Studio, Carrollton, Texas. A escolha foi por um estúdio diferente do usado para os últimos álbuns, pequeno e intimista. King acredita que esse feito da gravação passou para as músicas e podem ser percebidas pelo público. Ele também disse que o equipamento era melhor em relação aos outros. Foi produzido e mixado por Sterling Winfield.

“Dead Again” é composto por dez músicas e foi lançado em 9 de junho de 1998, pela Metal Blade Records. Ele tem um total de 59 minutos, e é composto por canções mais longas, visto que a que dá nome ao álbum tem 13 minutos. Houve uma harmonia em relação à composição das músicas, entre Sherman e Diamond. “Torture (1629)”, “The Night”, “Mandrake” e “Dead Again” foram compostas por Sherman e “Since Forever”, “The Lady Who Cries”, “Banshee”, “Sucking your Blood” e “Fear”, por Diamond.

Realmente esse álbum tem uma pegada mais forte, diante do que foi apresentado em “Into The Unknow”, especialmente com “Torture (1629)” e “The Night”. O grande destaque vai para “Banshee”, que fala sobre o aviso da chegada da morte pelo choro da criatura da mitologia celta.

Formação

King Diamond – Vocal
Hank Sherman – Guitarra
Mike Wead – Guitarra
Sharlee D’Angelo – Baixo
Bjarne T. Holm – Bateria

Track list

  1. Torture (1629)
  2. The Night
  3. Since Forever
  4. The Lady Who Cries
  5. Banshee
  6. Mandrake
  7. Sucking your Blood
  8. Dead Again
  9. Fear
  10. Crossroads

*publicada originalmente em 29 de dezembro de 2017, na Roadie Metal.

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