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Poesia

Diamante

A significância dá parte
àquela que parte
em mil peças
E de todas elas tira
o pó e a sujeira
E de polir esses
pedaços,
corta os dedos e
cria calos.

Até que eles brilhem.
Não há sentido em
nenhum pedaço sozinho
mas na imensidão
que reluz de sua
(superfície polida.)
alma que se vê pela superfície
limpa e polida.

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Loucura e sensatez

A lembrança de você tem estado cada vez mais apagada. Mais como um sonho ruim do que algo que foi bom. Porque talvez o bom tenha sido fruto da fértil imaginação. Minha mente distorcida que cria histórias e fez mais um refém. Como o faz todas as vezes que tenho medo que a realidade seja um manto sombrio sobre os meus pensamentos. Agora a verdade teima em aparecer por sob meus olhos, mas não como um carrasco que proclama o fim dos dias. É uma luz no fim do túnel que tem seu nome na porta. O farol brilhoso impedindo os barcos de se perderem. A verdade me chega hoje como um amigo, que traz uma coberta e um chocolate quente. Você não precisa mais passar frio, ele me diz estendendo a mão cordialmente.

Enquanto divago, pareço sensata aos olhos de quem me é desconhecido. Curioso saber que a minha loucura é vista como lucidez. E afinal, quem é que está certo?

Por certo que eles imaginam que cada linha de pensamento é tida como uma lapidação de diamante. A verdade é que me vejo carbono, que desenha e escreve por entre as folhas no caminho.

Enquanto caminho na tênue linha de mim mesma, oscilando pelas vertentes que a minha personalidade tem produzido. Ora inteligente e burra. Bonita e feia. Luz e sombra. Loucura e sensatez.

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Minutos antes do fim do mundo

Ficamos deitados. Como se o mundo lá fora não existisse. Não sei dizer quantas horas se passaram no silêncio. Abraçados como se fossemos um. Porque no fundo sabíamos que a hora que eu saísse por aquela porta tudo se acabaria.

Deitamos abraçados no silêncio para aproveitar os últimos minutos em que se era possível acreditar no amor.

Como se desse para parar o tempo. Naquele instante o planeta parou de girar, e as coisas se tornaram lentas e demoradas.

Porque sabíamos que iríamos em frente.

Você pode amar outras pessoas, mas cada sentimento que se tem por alguém é único.

O que você tirou de mim, eu nunca mais tive de volta. E nem você.

Não é a capacidade de amar. Ou a falta dela. Ela existe. Só não funciona mais. Quase como se estivesse emperrada com a chave quebrada dentro.

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Obrigada, Amor

Obrigada, Amor. Você nunca foi como eu imaginei e a gente nunca se entendeu direito. Talvez pela minha infantilidade em acreditar nos contos de fada. Ou na minha ignorância por não te reconhecer. Não sei e não importa.

O que você me fez sentir transformou a minha vida. Hoje, e só hoje compreendo os paralelos que existem no Amor. Ainda engatinho nessa aprendizagem.

Você esteve comigo e nunca me deixou desistir. Por sua causa, eu sorri nos momentos mais improváveis e tive coragem para mudar.

Foi você, Amor, quem me fez compreender que eu posso ser tudo aquilo que eu acredito. E ainda não largou a minha mão quando a correnteza estava forte demais, para que eu não me perdesse.

Você nunca me deu tudo e a minha ingratidão me fez olhar para apenas para isso. O meu desejo consumista me fez ver aquilo que eu não tinha. A inveja me consumiu e eu desejei coisas que eu nem sabia.

E então, por não haver mais espaço em mim, você se foi.

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As janelas acesas

Às vezes nos colocamos a vã expectativa que amar alguém é suficiente. Que vai vir do outro a mágica necessária para dar graça à vida. Claro que se apaixonar é uma das melhores coisas do mundo. Claro que o sorrir sem querer sorrir é sinal de uma felicidade interna. Mas não cabe ao outro. Cabe em você.

Enquanto estou em mais uma insônia pensativa, em que milhares de coisas passam simultaneamente pela minha cabeça, olho pela janela.

A luz do último andar do prédio branco e preto que fica bem na minha frente se apaga. “Mais uma pessoa indo dormir enquanto eu fico acordada.”

Às vezes penso que o ato de pensar é extremamente solitário. Escrever é o que torna menos solitário. Talvez o ato de escrever as coisas é o que me torna mais humana. Sinto que escrever me torna mais acessível e também mais próxima da realidade. Escrever me faz sair do mundo que existe na minha cabeça. Aquele mundo tão próprio que pouca gente entende.

Enquanto estava deitada, tentando dormir em vão, minha mente tagalerava sobre o fato de que talvez seja difícil para qualquer pessoa do meu lado se aproximar.

Tem 19 luzes acesas nos prédios aqui em volta. 24 se eu esticar a cabeça um pouco mais. O que essas pessoas estariam fazendo acordadas às 03 horas da madrugada?

“Você fica inatingível quando está dentro de si mesma”, escutei uma vez. A verdade é que eu também me sinto presa dentro de mim mesma, às vezes. Um labirinto mental de ideias e pensamentos que me consomem.

E o amor, se ele existe, consistiria no outro me tirar do mundo solitário ou aceitar que de vez em quando eu fique perdida entre pensamentos?

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Queria

O coração é uma coisa muito complicada. Escolhe caminhos que as vezes você duvida e pergunta porquê ?

Porque nada faz sentido no que ele diz. E mesmo que você diga que não quer seguir por ali, ele quer. Por qualquer razão desconhecida. E aí você, que faz o maior esforço para não pensar, sente saudades em um momento aleatório. Que deveria ser romântico. E você chora. Não porque você quer. Porque você jura que não quer. Mas alguém lá dentro decide sentir saudades. Decide que queria. Porque queria é pior que querer. Queria beira quase o impossível. Queria beira quase o sonho. Queria é algo que não existe.

E faz sentido, de certa forma louca, você querer algo que lá dentro não faz sentido. Então, da forma mais louca possível, combina mais com queria do que querer. Porque na verdade, você não quer, mas queria.