Quando faz frio

Já passa da meia noite e eu estou me preparando para dormir. Coloco minha calça do pijama na frente do aquecedor. Fico ouvindo esse cara na minha mente dizendo que o frio é devastador, e já sinto frio antes mesmo de tirar a roupa. Nos cinco segundos que estou sem a blusa, consigo sentir o vento frio passeando pelo meu corpo e arrepiando cada célula que existe em mim. Meus braços estão gelados, não importa o que eu faça. Respiro fundo e crio coragem para tirar a calça. Minhas pernas parecem estar mais geladas que a noite lá fora. Coloco duas meias e fico debaixo das cobertas. Três para ser exata.

Essa sensação parece me consumir por inteiro. O que diabos é isso? Quem é que diz pro meu corpo que ele deve sentir frio? Tento utilizar técnicas de pensamento e imagino meu corpo quente, fico repetindo isso. Algo na minha cabeça diz que eu não vou conseguir. Quanto mais eu tremo, mais me cubro e me encolho. Tento dormir, mas não consigo, fico ouvindo aquela voz dizendo para eu pegar mais uma coberta. Quem é que fala assim comigo?

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Saudade

Não poderia falar jamais sobre o que se passa aqui dentro, ninguém entenderia e eu mesma jamais entendo. Sinto falta não do que se foi, mas de como eu me sentia. Mesmo que isso não faça sentido algum. Todos os nossos amores são diferentes. Gostava da liberdade, de passear a noite, de estar apenas com quem amava. Das loucuras, das lágrimas, dos beijos. Não sinto saudades suas, sinto saudades minhas… Sinto saudades de um amor que eu acreditava, mesmo que você não merecesse.

Tudo o que eu não disse

A: Como você pode?
B: Fiz isso com as minhas próprias mãos. Segui um intuito do meu coração e fui.
(pausa dramática)

A: Então não me resta mais nada a dizer.
B: Você ainda pode falar sobre o tempo.
A: Tempo? Que tempo? O que nunca existiu?
B: O que está por vir.
A: Não acredito no futuro.
B: Você pode não acreditar, mas ele virá de qualquer jeito.
A (aos berros): Só virá se eu quiser, ouviu?
B: A vida é assim, goste você ou não.
A: Para com esse papo filosófico.
(pausa dramática)

B: Você quer começar a conversar agora?
A: Não, acho que eu vou embora.
B: É, isso é bem típico, você sempre vai embora.
A: Você quer que eu fique?
B: Se você quiser.
A: Não, já disse que quero embora.
B: Você não quer ir embora, você só não quer que eu fale.
A: E desde quando meu querer faz diferença?
B: Você acha que eu te deixaria daquele jeito?
A: Talvez fosse melhor. Detesto quando você me surpreende com essas boas atitudes.
B: Você sempre espera o pior de mim.
A: Você sempre me deu o pior em nossos melhores momentos.
(pausa dramática)

B: Você adora me fazer sofrer.
A: Eu não posso te fazer feliz.
B: Então me deixa ir.
A: Eu não posso.
B: Por que não?
A: Você é a minha vida.
B: Eu não posso voltar agora.
A: Pode sim, eu deixo.
B: Nada vai ser diferente.
A: Eu não quero que seja.
B: Eu quero.
(pausa dramática)

A: O amor é triste quando acaba.
(pausa dramática)

A: Você viu que não ganhamos na mega sena?
B: Não sabia, você não me disse.
A: Acertamos apenas o seu número.
B: Da próxima vez eu jogo.
(pausa dramática)

B: O amor é mesmo triste quando acaba.

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