Inquilinos

Abri um espaço
para a sua moradia
e quando fui visitar
vi os buracos que haviam

14 os que eu pude
contabilizar
não entendi a furadeira
e nem a pá

Então você me falou
das flores
das frutas
das cores
que estariam lá

Lá me coloquei na espera
dias,
noites,
tardes,
madrugadas
e nada

Nenhuma cor floresceu
nem flor abriu
nem fruta
nada

À porta bateu um
sedutor convite
“eu tenho várias sementes
de coisas lindas”,
você disse

Então te deixei entrar
com um sorriso no rosto
e vi você plantar de dia
e pisar nelas a noite
“é para crescer mais rápido”
você dizia
e elas morriam

Surgiu de repente
uma mão carinhosa
a limpar minhas lágrimas
compadecida de meu

Sofrimento
a mãozinha se ofereceu para
tapar os buracos

Aceitei. talvez
as terras
não fossem férteis

Cada buraco que a mão
tapava
era um a mais que se abria
e a dor continuava
e a tristeza persistia

Revoltada, cansada
e desiludida
mandei todo mundo embora
troquei toda a terra
e fui cuidar da vida.

Publicado por Daniela Farah

Poetisa, escritora, jornalista, observadora da sociedade, pensadora da vida e curiosa. Fiz minha primeira poesia aos oito anos e desde então nunca mais parei de escrever. Ainda criança gostava de contar histórias sobre coisas da minha vida que nunca tinham acontecido.

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