A realidade sobre a vida virtual 

Cada dia que passa a vida virtual chega a ser menos coisa de filme de ficção científica dos anos 80 e fica mais perto da realidade. Há uma discussão tão grande sobre o assunto que esses dias me peguei lendo uma matéria sobre a invenção do metaverso, e segundo os autores dessa faceta, isso se justifica porque a Internet está ficando pequena. E é até uma pena que Stan Lee morreu sem poder ver seu universo criativo fazendo parte da vida real. Se é que devemos chamar assim. 

Por ócio ou por curiosidade, resolvi me inscrever em um jogo que mistura vida virtual e literatura. A premissa do aplicativo traz o sonho (ou pesadelo) de todo leitor: escolher os caminhos dos personagens. A história é pré-montada e traz uma seleção inspirada em romances de Jane Austin, Senhor dos Anéis, adolescentes com o high school ou a noiva do lobo, zombies, viagem no espaço e até eróticos como a babá e o CEO. Para todos os gostos.

A primeira história abriu quase que automática, no estilo o príncipe e a plebeia, seguindo do grande questionamento da vida, amplificado pelos coachs nas redes sociais: quem você gostaria de ser? É aquele momento em que ou você tem os seus objetivos definidos e sai do jogo para cuidar da sua vida, ou você entra em depressão aliada da ansiedade. Continuei.

A partir daí começa entrar o dinheiro na história. Os cabelos mais legais são de 15 a 20 diamantes. E a vida virtual perde os limites quando você pensa que realmente, aquele cabelo colorido, com essa perfeição toda tem que ser um bom profissional. Sai caro. Esse vestido vermelho brilhante tem cara de ser de um estilista famoso. Vinte e cinco diamantes. 

Cada opção que é muito legal ou muito íntima vale diamantes. O sonho do príncipe é conhecer a estátua da liberdade, para levar ele lá, são quinze diamantes, ou você cancela com ele e vai para casa. E aí tudo começa a parecer muito com a realidade. Melhor cabelo, melhor vestido, melhores atividades saem caro. Quer passear no jardim? Quinze diamantes, ou vinte, ou vinte e cinco, dependendo da história e da companhia. 

Ah, e engana-se quem pensa que julgamento é coisa de ser humano, os personagens do jogo são tão mestres nisso que fazem te lembrar daquela festa na adolescência: você vai mesmo com essa roupa? Ou ainda: você disse não para o príncipe e perdeu sua a chance. Quantas vezes a própria culpa me atormentou na vida real e eu nem dormi pelos nãos que eu disse?

A vantagem é que eu fiz uma descoberta bem libertadora e que teria me poupado muitas sessões de terapia. Não há resposta certa. Às vezes os outros personagens reagem às suas escolhas e outras vezes eles agem do mesmo jeito, independente da sua resposta. Fui reprovada no teste de viação intergalática com vários logins diferentes, testando todas as combinações de respostas possíveis. Deletei.

Publicado por Daniela Farah

Daniela Farah é curitibana de coração, jornalista formada pela PUC-PR e sempre esteve ligada às artes, estudou produção cênica, língua portuguesa, literatura e violão no Conservatório de MPB do Paraná. Tem o blog “Adanibella – Todo dia é dia de Poesia” para trabalhos literários, é redatora da Roadie Music e participa do grupo Mulheres e Poesias.

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