OPETH – DAMNATION (2003)

“Damnation” é sétimo álbum de estúdio da banda Opeth. Fato curioso é que ele foi lançado no dia 22 de abril de 2003. Sim, “Damnation” está completando 15 anos hoje! O álbum foi gravado no Studio Fredman, na Suécia, entre os meses de julho e setembro de 2002. A proposta dele é bem diferente do som que o Opeth apresentava até então. “Damnation” veio sem vocais guturais, guitarras mais trabalhadas e uma vibe de rock progressivo dos anos 70.

Em uma entrevista para a Billboard, o frontman do Opeth, Mikael Akerfeldt contou um pouco do processo do álbum.““Damnation” deixa uma memória mais feliz por algum motivo, mas acho que fiquei mais empolgado com esse disco porque não tínhamos feito nada assim. Isso sempre soou ótimo, eu acho”, disse.

É um álbum extremamente lírico, e não há como fazer uma análise sem se deixar levar pela poesia toda que ele remete. Então, de antemão, peço desculpas pelas pitadas de viagem poética que virão na sequência!

“Windowpane” é uma música de quase 8 minutos. Ela começa com a melodia na guitarra, e em dez segundos a bateria faz uma introdução e complementa o ritmo. O som tem um lirismo constante, aliás em praticamente todo o álbum. Dá uma vontade imensa de encostar a cabeça na janela e olhar para fora. Aliás, é bem assim que a letra começa: “Blank face in the windowpane” (Rosto pálido na vidraça). Uma espécie de solidão melancólica, em cada nota, realçado pelo tom da voz de Mikael Akerfeldt. “Haunting loneliness in the eye” (Uma solidão que assombra em seus olhos). De 1:12 até 1:49, a guitarra dá o tom da melancolia, transformando em som aquela dorzinha no peito quase sem definição. Mas a surpresa da música vem mesmo lá pelo 03:38 que a bateria vem para o primeiro plano, causando uma quebra no ritmo. E aí a linha vai quase para um suspense. Até quando lá por 04:40 encontra uma espécie de redenção, com uma guitarra melancólica, mas esperançosa até. Aliás, voltei algumas vezes aqui, tamanha a beleza desse solo. Não é a toa que essa é a mais longa do álbum, afinal, quanto tempo dura a melancolia?

A primeira coisa que se nota em “In My Time of Need” é o vocal marcando o tempo junto com a bateria. Há uma guitarra ecoando no fundo, que puxa o clima melancólico proposto pelo álbum. Em 1 minuto pode-se perceber uma leve influência de “Time”, do Pink Floyd. Proposital ou não, está lá. O que me atraiu bastante nessa música foi o uso da voz em diferentes tempos. Mais rápido, usando quase como um rap, até o mais espaçado possível nas palavras. Isso foi muito bem trabalhado aqui e deu um efeito muito interessante para esta música. Ela tem 5:46, é um pouco mais longa que o esperado, mas não se torna repetitiva por conta dos elementos bem distribuídos. A letra fala sobre a sensação de estar sozinho e desprotegido. “And I should contemplate this change/ To ease the pain/ And I should step out of the rain/ Turn away” (E eu devo contemplar esta mudança/Para amenizar a dor/E eu deveria sair debaixo da chuva/E virar às costas).

Bom, o que se espera de uma música cujo título é “A Morte Sussurrou Uma Canção de Ninar”, é que ela seja sombria, certo? E “Death Whispered A Lullaby” passa uma certa desesperança. “Speak to me now and the world will crumble/Open a door and the moon will fall/All of your life, all your memories/Go to your dreams, forget it all” (Fale comigo agora e o mundo irá se despedaçar/Abra uma porta e a lua cairá/Toda a sua vida, todas as suas memórias/Vão para os teus sonhos, esqueça tudo). A repetição de “Oh, sleep my child” (Oh, durma, minha criança) é um sentido de desistência mesmo, durma porque não há mais nada a ser feito.

“Closure” foi a minha preferia do álbum. Uma porque ela tem uma mistura de elementos que faz você se perder lá pelo 1:30. Você tem que parar para ouvir realmente. Como se cada instrumento fizesse uma coisa por si, mas dentro de uma harmonia que serve de exemplo para o que é barulho do que é música. Afinal, não é só colocar vários instrumentos juntos, eles devem conversar entre si para criar um sentido, certo? Closure é assim, nos primeiros segundos você se pergunta, o que é isso? Mas depois compreende. “Awaiting word on what’s to come/In helpless prayers a hope lives on/As I’ve come clean I’ve forgotten what I promised/In the rays of the sun I am longing for the darkness” (Aguardando a informação sobre o que virá/Em devotos indefesos a esperança sobrevive/Vim purificado e me esqueci do que prometi/Sob os raios do sol eu aguardo pela escuridão)

“Hope Leaves” tem praticamente 4 minutos e meio de duração. Apesar do nome, ela não é tão melancólica quanto “Windowpane”. Tem certa tristeza que já se percebe nos primeiros minutos da guitarra. A bateria só entra depois de 1:20, o que dá uma sensação crescente na música. “There is a wound that’s always bleeding/There is a road I’m always walking/And I know you’ll never return to this place.” (Há uma ferida que sempre está sangrando/Há uma estrada que eu sempre estou caminhando/E eu sei que você nunca voltará a este lugar)

“To Rid The Disease”, com mais de seis minutos e “Ending Credits”, com mais de três mantém o estilo melancólico do álbum. “Weakness” entretanto tem uma pegada psicodélica bem interessante, especialmente pelo uso do mellotron.

Track List

1.Windowpane
2.In My Time Of Need
3.Death Whispered A Lullaby
4.Closure
5.Hope Leaves
6.To Rid The Disease
7.Ending Credits
8.Weakness

Formação:

Martin Mendez – Baixo
Martin Lopez – Bateria/Percussão
Peter Lindgren – Guitarra
Mikael Åkerfeldt – Guitarra e Vocal
Steven Wilson – Piano, Mellotron, Backing vocal

*publicada originalmente em 22 de abril de 2018, na Roadie Metal.

Publicado por Daniela Farah

Daniela Farah é curitibana de coração, jornalista formada pela PUC-PR e sempre esteve ligada às artes, estudou produção cênica, língua portuguesa, literatura e violão no Conservatório de MPB do Paraná. Tem o blog “Adanibella – Todo dia é dia de Poesia” para trabalhos literários, é redatora da Roadie Music e participa do grupo Mulheres e Poesias.

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