FOO FIGHTERS – FOO FIGHTERS (1995)

“Foo Fighters” (1995) é o álbum que marca a estreia da banda liderada por Dave Grohl. Ele foi lançado em 04 de julho de 1995, data da comemoração da independência dos Estados Unidos.

Na semana de 17 de outubro à 23 de outubro de 1994, Dave ficou no Robert Lang Studios, em Seattle, gravando uma fita cassete praticamente sozinho. Barret Jones fez a produção e Greg Dulli tocou guitarra em uma música. Logo na primeira página do site do estúdio, tem uma declaração do vocalista: “O estúdio que mudou minha vida para sempre. Eu não seria eu sem você.” A verdade é que foi mais uma experiência catártica. Dave Grohl tinha pensado em largar a música após a morte do amigo e companheiro de banda, Kurt Cobain. Em vez disso, o ex baterista do Nirvana se refugiou na arte e assim nasceu o Foo Fighters.

“Eu decidi pegar as músicas favoritas que fiz nos últimos quatro ou cinco anos que ninguém tinha ouvido e as gravaria num estúdio na rua da minha casa. E foi animador porque eu fazia completamente sozinho. Eu não sabia por que estava fazendo aquilo. Eu só queria fazer algo, sabe? Então eu marquei uma semana no estúdio e, no fim da semana, tinha uma fita e soava bom.”, disse Grohl no documentário Foo Fighters: Back and Forth, dirigido por James Moll.

Para o nome, o grande fã de ufologia e aliens escolheu um que remete a uma experiência da Segunda Guerra Mundial. “Foo fighter” é uma expressão inglesa que define esferas luminosas alaranjadas que acompanhavam os pilotos americanos enquanto sobrevoavam a Europa. O vocalista já disse em entrevistas que gosta da sonoridade do termo. Ainda no documentário, ele fala sobre a decisão de colocar outro nome: “Então comecei a pensar ‘ eu não vou colocar meu nome nisso. As pessoas vão pensar que é só uma banda. E não vão saber que é daquele cara do Nirvana.”

A questão é que a repercussão da fita foi muito boa e Dave se viu na incumbência de montar uma banda para os shows. Após assistir a última apresentação da banda Sunny Day Real Estate, ele resolveu convidar o baixista Nate Mendel e o baterista William Goldsmith, para se juntar ao Foo Fighters. Pat Smear, guitarrista do Germs e auxiliar nas turnês do Nirvana, completou a gangue.

Nesse processo, Grohl foi extensamente criticado por ter começado uma banda nova e essencialmente pela capa do novo álbum. Como Kurt Cobain foi encontrado morto com um tiro na cabeça, algumas pessoas acharam insensível da parte de Dave ter uma arma na capa. “Sim, as pessoas se assustaram com isso”, disse em entrevista ao Louder. “Sabe, honestamente, isso nunca me veio à mente uma vez. Obviamente não, porque se eu pensasse que as pessoas associariam isso com isso, eu nunca teria feito isso.”, continuou. Isso porque foi o amor pela ficção científica que o levou a escolher a foto da arma de brinquedo Buck Rogers. A foto foi tirada por Jennifer Youngblood, na época esposa de Grohl.

“This is a Call” é a música que abre o álbum. É uma das poucas que foi escrita após o Nirvana. É até uma injustiça ficar retomando esse fato, porque Dave fez o que achou melhor para o momento, mas o comentário aqui é mais pela questão histórica do que qualquer comparação. Foi também o primeiro single lançado em 19 de junho de 1995. Musicalmente, a história pessoal do baterista é marcada por rock clássico e punk rock, portanto, em sua produção isso não poderia ficar de fora. “This is a Call” tem uma pegada de revolta, mas com a ideia feliz. A letra “Isto é um chamado para todas as minhas/ Renúncias passadas” é um jeito poético de começar um projeto novo, tendo toda uma espécie de responsabilidade nas costas. Afinal, se já é difícil recomeçar na vida fora dos holofotes, imagine com a mídia e fãs em cima? Mas ele se saiu muito bem.

Em “I´ll Stick Around”, as influências da época do Nirvana ficam bem claras. Mas Kurt provavelmente deixaria o vocal mais melódico e lento, exceto no refrão. “I don’t owe you anything” (Eu não devo nada a você). É mais do que compreensível que Grohl levasse a diante a bagagem de sua banda anterior, ainda mais nesse primeiro momento.

É possível ver referências claras do futuro do Foo Fighters em “Big Me” por dois motivos. Um deles é a sonoridade que varia entre “This is a Call” e “Big Me”. Outra razão foi o clipe “humorístico” que eles produziram, imitando uma propaganda de bala. A letra tem inspirações amorosas: “When I talked about it/Carried on/Reasons only knew/But it’s you I fell into” (Quando eu falei sobre isso/Leva a coisas que/Só as razões conheciam/Mas isto é você, eu cai nas suas mãos).

“Alone + Easy Target” não é das mais surpreendentes, é do tipo que você tem certeza que já ouviu antes. Já “Good Grief” tem um ritmo interessante, mas peca no vocal. Em alguns momentos ele fica quase inaudível e você sabe que Grohl ainda não está preparado para cantar ela. Mas deve ter funcionado muito bem nos shows, porque tem uma pegada contagiante. “Floaty” é provavelmente a mais experimental do álbum e talvez por isso Dave tenha se dito tão inseguro vocalmente ao gravá-la. Ela começa com um violão acústico que te remete à calmaria de um campo, mas altera ao longo do tempo. Perto dos 30 segundos ganha uma guitarra com um certo peso, que logo é substituída por vocais que dão a sensação de flutuação.

“Weenie Beenie“é uma das mais pesadas do álbum e mostra suas influências punk, especialmente da época em que tocava no Scream. A vantagem de analisar um álbum 24 anos depois de seu lançamento é poder observar por qual caminho a banda seguiu. “Oh, George” tem características que vão acompanhar o Foo Fighters ao longo dos anos e podia ter sido melhor aproveitada na divulgação da banda.

Uma piada diz que todo baterista tem mania de querer colocar qualquer coisa de jazz nas músicas. “For All the Cows” segue essa linha e é uma das poucas letras que brinca com significado das coisas. “My kind has all run out,/As if kinds could blend./Some time if time allows,/Everything worn in, everything worn in,/Everything worn in like it’s a friend.” (Minha espécie está toda extinta./Como se espécies pudessem se misturar./Com o tempo, se o tempo permitir/Tudo se desgasta, tudo se desgasta./Tudo se desgasta como se fosse um amigo.)

A música que tem a única participação do álbum é a “X-Static”. O primeiro minuto da música é todo instrumental. Dá a impressão de que, justamente por ter uma parceria de peso na guitarra, Grohl pode carregar na bateria. “Wattershed” é uma pérola na casca. “Exhausted.”

Dave Grohl entrou no estúdio depois de quase desistir da música. Foo Fighters nasceu como um trabalho de catarse, mas já com identidade própria.

Tracklist:
1.”This Is a Call”
2.”I’ll Stick Around”
3.”Big Me”
4.”Alone + Easy Target”
5.”Good Grief”
6.”Floaty”
7.”Weenie Beenie”
8.”Oh, George”
9.”For All the Cows”
10.”X-Static”
11.”Wattershed”
12.”Exhausted”

Banda:
Dave Grohl – vocal, guitarra, baixo, bateria
Greg Dulli – guitarra em “X-Static”
Barret Jones – Produção

*publicada originalmente em 7 de janeiro de 2019, na Roadie Metal.

Publicado por Daniela Farah

Daniela Farah é curitibana de coração, jornalista formada pela PUC-PR e sempre esteve ligada às artes, estudou produção cênica, língua portuguesa, literatura e violão no Conservatório de MPB do Paraná. Tem o blog “Adanibella – Todo dia é dia de Poesia” para trabalhos literários, é redatora da Roadie Music e participa do grupo Mulheres e Poesias.

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