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As janelas acesas

Às vezes nos colocamos a vã expectativa que amar alguém é suficiente. Que vai vir do outro a mágica necessária para dar graça à vida. Claro que se apaixonar é uma das melhores coisas do mundo. Claro que o sorrir sem querer sorrir é sinal de uma felicidade interna. Mas não cabe ao outro. Cabe em você.

Enquanto estou em mais uma insônia pensativa, em que milhares de coisas passam simultaneamente pela minha cabeça, olho pela janela.

A luz do último andar do prédio branco e preto que fica bem na minha frente se apaga. “Mais uma pessoa indo dormir enquanto eu fico acordada.”

Às vezes penso que o ato de pensar é extremamente solitário. Escrever é o que torna menos solitário. Talvez o ato de escrever as coisas é o que me torna mais humana. Sinto que escrever me torna mais acessível e também mais próxima da realidade. Escrever me faz sair do mundo que existe na minha cabeça. Aquele mundo tão próprio que pouca gente entende.

Enquanto estava deitada, tentando dormir em vão, minha mente tagalerava sobre o fato de que talvez seja difícil para qualquer pessoa do meu lado se aproximar.

Tem 19 luzes acesas nos prédios aqui em volta. 24 se eu esticar a cabeça um pouco mais. O que essas pessoas estariam fazendo acordadas às 03 horas da madrugada?

“Você fica inatingível quando está dentro de si mesma”, escutei uma vez. A verdade é que eu também me sinto presa dentro de mim mesma, às vezes. Um labirinto mental de ideias e pensamentos que me consomem.

E o amor, se ele existe, consistiria no outro me tirar do mundo solitário ou aceitar que de vez em quando eu fique perdida entre pensamentos?

Por Daniela Farah

Poetisa, escritora, jornalista, observadora da sociedade, pensadora da vida e curiosa. Fiz minha primeira poesia aos oito anos e desde então nunca mais parei de escrever. Ainda criança gostava de contar histórias sobre coisas da minha vida que nunca tinham acontecido.

4 respostas em “As janelas acesas”

Eu penso que a nossa identidade é construída com base nas relações que firmamos com as outras pessoas. a gente se reconhece num grupo ou numa pessoa e assim, até mimetizamos alguns comportamentos que achamos massa no outro. Eu sei que há pessoas auto motivadas (que não precisam de motivação externa pra sentir felicidade), mas são casos a parte. Não tem nada melhor do que se reconhecer no outro e dividir com ele qualquer tipo de felicidade! 😉

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