Olhos Ruivos

Eu fiquei.

Não porque você pediu e me abraçou. Apesar disso ter sido reconfortante.

Não fiquei pelo café ou pelo gato.

Fiquei porque quis.

Quis provar o café e brincar com o gato.

Fiquei porque era livre.

Cativa pelos olhos ruivos e liberta pela poesia das horas.

Fiquei porque não era certo e nem devia estar ali.

Fiquei porque não era direito e gosto de lembrar o quanto sou torta.

Fiquei porque não tinha tempo nem espaço.

Fiquei porque nada existia e tudo era um faz de conta.

Fiquei porque ia acabar.

[Só os que têm a ciência de que tudo acaba ficam de corpo e alma.]

Publicado por Daniela Farah

Daniela Farah é curitibana de coração, jornalista formada pela PUC-PR e sempre esteve ligada às artes, estudou produção cênica, língua portuguesa, literatura e violão no Conservatório de MPB do Paraná. Tem o blog “Adanibella – Todo dia é dia de Poesia” para trabalhos literários, é redatora da Roadie Music e participa do grupo Mulheres e Poesias.

5 comentários em “Olhos Ruivos

  1. Ficar é infinitivo, é presente. Querer ficar, ou seja, ficar porque era o que se tinha vontade de fazer é demonstração de liberdade interior, de espiritualidade. Se era tarde, se era noite, se era fim. Ficar e ver fim, é premissa básica para viver e fazer parte da história!

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