A batida

O carro parou e nós entramos. Sem destino. O frio na barriga a cada esquina passada. Viramos aqui e ali. Dois pedais de freio e acelerador. Nos olhamos e aceleramos. Porque era bom e divertido, parecia certo. Ninguém queria parar. Não tinha me dado conta. Podia parar. Enquanto eu me debatia, você acelerava. Pisei levemente no freio. Não porque queria parar. Por costume, talvez. Criei coragem, num impulso, acelerei. E foi então que você pisou com tudo no freio. Ainda sinto os cortes dos cacos no rosto, de quando atravessei o vidro.

Publicado por Daniela Farah

Daniela Farah é curitibana de coração, jornalista formada pela PUC-PR e sempre esteve ligada às artes, estudou produção cênica, língua portuguesa, literatura e violão no Conservatório de MPB do Paraná. Tem o blog “Adanibella – Todo dia é dia de Poesia” para trabalhos literários, é redatora da Roadie Music e participa do grupo Mulheres e Poesias.

19 comentários em “A batida

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