A batida

O carro parou e nós entramos. Sem destino. O frio na barriga a cada esquina passada. Viramos aqui e ali. Dois pedais de freio e acelerador. Nos olhamos e aceleramos. Porque era bom e divertido, parecia certo. Ninguém queria parar. Não tinha me dado conta. Podia parar. Enquanto eu me debatia, você acelerava. Pisei levemente no freio. Não porque queria parar. Por costume, talvez. Criei coragem, num impulso, acelerei. E foi então que você pisou com tudo no freio. Ainda sinto os cortes dos cacos no rosto, de quando atravessei o vidro.

Publicado por Daniela Farah

Jornalista curitibana formada pela PUC-PR, com pós-graduação em Comunicação Empresarial, também estudou produção cênica, língua portuguesa, literatura e fez aula de violão no Conservatório de MPB do Paraná. Atualmente, trabalha com produção de conteúdo para sites, blogs e redes sociais. Começou a escrever sobre música em 2017 como redatora da Roadie Metal. Adora conhecer bandas novas, fazer cobertura de shows e entrevistas.

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