Onde dá pé 

Ela precisava de coisas rasas porque as que passavam metros abaixo de seus pés a amedontavam. Era como aquele dia na piscina em que quis ver o fundo e nunca mais voltou. Até tiraram-na da água, mas ela mesma nunca mais saiu de lá. Se fechasse os olhos conseguiria ver os corpos distorcidos através do filtro da piscina. Guardou como recordação a sensação de olhar do fundo e não poder se mover. Ainda assim, ela sofria. Se eu mergulhar, quem vai me tirar da água turva para a qual os seus braços me puxam?

Publicado por Daniela Farah

Daniela Farah é curitibana de coração, jornalista formada pela PUC-PR e sempre esteve ligada às artes, estudou produção cênica, língua portuguesa, literatura e violão no Conservatório de MPB do Paraná. Tem o blog “Adanibella – Todo dia é dia de Poesia” para trabalhos literários, é redatora da Roadie Music e participa do grupo Mulheres e Poesias.

4 comentários em “Onde dá pé 

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