Onde dá pé 

Ela precisava de coisas rasas porque as que passavam metros abaixo de seus pés a amedontavam. Era como aquele dia na piscina em que quis ver o fundo e nunca mais voltou. Até tiraram-na da água, mas ela mesma nunca mais saiu de lá. Se fechasse os olhos conseguiria ver os corpos distorcidos através do filtro da piscina. Guardou como recordação a sensação de olhar do fundo e não poder se mover. Ainda assim, ela sofria. Se eu mergulhar, quem vai me tirar da água turva para a qual os seus braços me puxam?

Publicado por Daniela Farah

Poetisa, escritora, jornalista, observadora da sociedade, pensadora da vida e curiosa. Fiz minha primeira poesia aos oito anos e desde então nunca mais parei de escrever. Ainda criança gostava de contar histórias sobre coisas da minha vida que nunca tinham acontecido.

4 comentários em “Onde dá pé 

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