Não gosto de cachorro.

Eu nunca gostei de cachorro. (Me julguem!) Sempre fui do time dos gatos. Mas aí você apareceu e era tão magrinho que entrou pelo portão. Eu não te dei comida porque queria que você fosse embora. Mas você ficou. E um dia que ia ser assaltada você avançou na moça tão bravamente que ela foi embora com medo. E naquele dia eu te disse: Olha cachorro, não sei o que fazer com você ainda, mas hoje você ganhou o jantar.

E logo ganhou um tapete e um lugar para dormir. Mas eu ainda não gostava de cachorro. Então você não queria comer e todas as noites eu chegava do trabalho e sentava lá com você até você comer.
E aí você começou a destruir todos os vasos. E aí você corria, avançava nos gatos. Era revoltado! Fui atrás de um floral e te ajudou a ficar mais calmo. E logo você era o cachorro dos sonhos. Bravo e bom, na medida. Era um amor com quem gostava, mas avançava em quem você implicava.
E aí se passaram 4 anos. E você começou a não querer sair da casinha. E a gente achava que era o frio ou a preguiça. Até que descobri que você não conseguia andar direito. Então levamos você no veterinário. Várias vezes. Tornou-se uma constante levar você.
E aí tive que fazer uma cama pra você no meu quarto para que eu pudesse ver como você estava todos os dias.
Você precisou fazer cirurgia, e eu ia te visitar todos os dias, mas você não podia me ver, então ficou revoltado. Lembro de quando fui te buscar você reclamou o caminho inteiro. Fiquei várias noites acordadas para ver se você estava bem, se sentia dor, se lambia a cicatriz, essas coisas. Cozinhava polenta com arroz e frango até você ter vontade de comer de volta. E quando você estava com muita dor também, porque ficava tão quietinho e triste e eu sabia que comida te faria feliz, pelo menos um pouquinho.
Até que você se recuperou e ficou ótimo!
Mas logo ficou doente de novo. E eu sabia pela cara do médico que você ia embora. Isso eu aprendi a ler na cara dos médicos, eles te olham e pensam: o que eu vou falar pra ela? Mas fingi que não entendi. Fiquei na minha. Te dei muito amor e polenta ( que você adorava!). 

Depois vieram outros tratamentos com tantas agulhas que nem mais se importava. E você trocou a polenta pelo ovo cozido. Até que não quis mais nada. Só deitava debaixo das cobertas e ia fazer xixi quando eu te levava. Foi triste de ver.

E chorei bastante. Porque a gente chora mesmo. Mas estou bem. Sei que você está num lugar  lindo (seja lá onde for!) E sei que você não sente mais dor e só por isso fico muito feliz. Você foi o melhor cachorro que alguém podia ter. Eu ainda não gosto de cachorro, mas sim de você.

Publicado por Daniela Farah

Jornalista curitibana formada pela PUC-PR, com pós-graduação em Comunicação Empresarial, também estudou produção cênica, língua portuguesa, literatura e fez aula de violão no Conservatório de MPB do Paraná. Atualmente, trabalha com produção de conteúdo para sites, blogs e redes sociais. Começou a escrever sobre música em 2017 como redatora da Roadie Metal. Adora conhecer bandas novas, fazer cobertura de shows e entrevistas.

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