Entre Gentes

Onde estaria a dignidade das gentes
Entre o silêncio que se destaca
Por sobre as falas e formas, e imagens
E tudo o mais que o mundo moderno traz.

Onde estariam as palavras não ditas
As elegias mudas e explicações caladas?
Que peito é esse que sente e não fala?
Que vida é essa que se cala por entre instâncias?

Pois que sabe que se vive apenas para si
Sob seu mundo, suas mãos, pés e escolhas
Dentro de seu umbigo, e sua mente própria.
Envolto em si mesmo, em si completo, em si, ponto.

Teria o outro que lhe compreender?
Saberia de seus pensamentos, entre coisas
entre gentes, entre vida, que mente
Claramente, mente, sobretudo para si?

Cabe ao outro conceder-lhe a vontade
De ter seu desejo atendido de pronto e em tudo
Quando nada se dá ou oferece ao outro
Quando não se tem visão do outro
Quando se desconhece o outro.

[Só uma peça no jogo moderno.]

Publicado por Daniela Farah

Daniela Farah é curitibana de coração, jornalista formada pela PUC-PR e sempre esteve ligada às artes, estudou produção cênica, língua portuguesa, literatura e violão no Conservatório de MPB do Paraná. Tem o blog “Adanibella – Todo dia é dia de Poesia” para trabalhos literários, é redatora da Roadie Music e participa do grupo Mulheres e Poesias.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: