A Vida de Elisa

As duas saíram para comemorar. Encontraram algumas amigas de Luísa no barzinho.
– Acho que vou ficar só na água hoje!
– Nem pensar! Pelo menos um brinde comigo você vai fazer.
E depois de alguns brindes e algumas bebidas, Elisa estava alegre. Aquela sensação de euforia que só o álcool proporciona. “Já tinha me esquecido de como isso faz bem”.
– Eu não me divertia assim há tanto tempo. Obrigada meninas!
Ela se despediu e na saída, enquanto esperava o táxi viu um homem alto, com as mãos no bolso que a olhava. Ele deu um sorrisinho e resolveu se aproximar. Elisa sentia uma mistura de medo e vergonha, não sabia como reagir. Até que ele se aproximou:
– Elisa?
Ela ficou surpresa “Como ele sabe meu nome?” e quando se virou para olhar, percebeu que já o conhecia.
– Gustavo! Quanto tempo! Quase não te reconheci.
– Faz um tempo mesmo. Você está linda!
Ela enrubesceu. Eles tinham namorado há uns 10 anos. O táxi de Elisa chegou.
– Espera. Me passa o seu telefone.
Naquele momento tudo aconteceu tão rápido que ela não conseguiu pensar, mas consentiu em lhe dar o número. Quando entrou no táxi, ficou pensando no que tinha acontecido e como foi bom encontrá-lo. “Ele está tão lindo!” Ao mesmo tempo em que tinha uma esperança, de que afinal não ficaria sozinha, ela se perguntava se queria entrar nessa história novamente. “Vou esperar ele me ligar, vou sair e conversar com ele. E então, decido!”
No dia seguinte Gustavo ligou e combinaram de tomar um café. Assim que desligou o telefone, Elisa ligou para Kátia.
– Acho que não sei nem que roupa usar!
– Ai Elisa, calma, coloca uma calça jeans e uma blusinha mesmo. Mas vai de vermelho, pra dar sorte!
– Tenho medo de ir muito arrumada e ele achar que eu estou afim.
– E você não está?
– Não sei ainda. Estou animada, poxa, faz tanto tempo que eu não saio com ninguém. Mas é só um café.
– Que vai se tornar …
– Que não vai se tornar nada além de um café!
Kátia riu. Elisa continuava afirmar para ela mesma que aquilo não significava nada, mas quanto mais se aproximava do local, mais seu estômago embrulhava. Ela odiava dizer que Kátia tinha razão, mas ela tinha. Gustavo já esperava por ela.
– Espero que você não tenha mudado de gosto, pedi o seu preferido.
Ela sorriu. Ele a abraçou e puxou a cadeira. “Tão cavalheiro!”
– Conte-me tudo! Como você está? O que anda fazendo da vida? Casou? Tem filhos?
Ele gostava sempre de parecer no controle da situação. “Você não mudou nada”
– Bem, eu estou dando aulas, não sei se você lembra aquela escola que eu sempre quis trabalhar?
– Lembro. Aquela com ensino diferenciado.
– Então, consegui finalmente!
– Você sempre consegue o que quer Elisa. – Ela sorriu – Mas e está casada?
– Casei, mas não quero falar disso. Nós estamos nos divorciando. – Disse ela enquanto olhava para baixo e passava os dedos no anelar.
– Desculpe, Elisa. Você está bem? Se precisar de alguma coisa, pode contar comigo.
Ele segurou em sua mão. Ela retirou a mão delicadamente.
– Mas e você? Casou?
– Eu? Não! Acho que estou esperando a mulher certa.
Ele sorriu. Ela ficou constrangida. Gustavo, como cavalheiro que era, começou a contar sua trajetória no mercado financeiro. Ele era bem sucedido na carreira, rico, bonito e cavalheiro, entre outras coisas. “Será que ele não tem ninguém mesmo?”

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